Mulher Moderna?

Durante anos a mulher foi obrigada a ser submissa, a lavar, a passar, a cozinhar, a não sentir prazer, a cuidar dos filhos e ser uma parideira de primeira. Depois queimamos alguns sutiãs e veio movimento feminista e com ele algumas conseqüências.

Dizemos com a boca cheia de orgulho que conquistamos nosso espaço, nossos direitos. No entanto, nossos deveres continuam os mesmo. Diante de tais questionamentos, eu me pergunto: o que é ser uma mulher moderna? Até que ponto o feminismo nos beneficia? Qual a nossa vantagem de sermos tratadas como iguais?

Os homens reclamam, dizem que queremos ser tratadas como semelhantes, mas na hora de enfrentar o pesado, pulamos fora com a velha desculpa de sermos mulheres. Em parte é verdade, mas a constituição deixa claro que devemos tratar igualmente os iguais e desigualmente os desiguais. Isto é, homens e mulheres são diferentes não dá para ignorar este fato. Não dá para querer que uma mulher deixe de amamentar seu filho porque ela tem que trabalhar como qualquer homem! A diferença de sexo deveria estar a favor de todos e não contra os direitos e deveres.

Com o movimento feminista a mulher ganhou sua independência, mas seria hipocrisia de nossa parte dizer que não precisamos deles. O feminismo ao se opor ao machismo cria no imaginário da mulher uma independência sexual, financeira, social e emocional que muitas vezes não condiz com as nossas vidas. Quantos homens não se intimidam com mulheres extremamente independentes? Afinal, eles precisam mostrar que sabem trocar uma lâmpada e como todo ser humano se sentir importante, se sentir dentro de um papel social.

E a suposta mulher moderna? Ela trabalha, ganha seu próprio dinheiro, paga suas contas, sai de balada, arruma uma transa, compra sua própria camisinha, mas quando casa, constitui família e a treva da Idade Média volta. Inevitável? Não, completamente evitável, tudo depende de nós mesmas. Dizer que é moderna porque é independente, mas quando chega em casa, lava, passa e cozinha, é a treva, pois não tem nada de modernidade nisso! As mulheres criam seus filhos, somos nós a principal causa do machismo, somos nós que permitimos ser submissas, somos nós que não batemos o pé e obrigamos nossos maridos (ou futuros maridos) a irem à reunião dos filhos na escola, a levá-los ao médico, a fazerem as compras do mês, etc. Eu sei, existem casos e casos, mas essas ações ainda persistem. Quantas vezes vemos mulheres brigando no trânsito e sendo chamadas de barraqueiras, enquanto os homens são apenas bons brigões. Ou quantos homens não se aproveitam da nossa suposta modernidade para dividir a conta no final do mês e ainda sim terem suas cuecas lavadas?

Mulher peca pelo sentimento, é verdade, sentimos pena pela suposta ausência de dons domésticos ou até mesmo paternos de nosso companheiros. Bom, ensinamos tantas coisas ao mundo, porque não ensiná-los a adquirir esses dons também, sem se esquecer, é claro, da importante diferença de sexos? Até quando vamos fingir que a dupla jornada de trabalho representa nossa modernidade quando, na verdade, representa apenas a nova cara do machismo?

Michele Lima

Blogueira, tradutora, revisora, redatora, professora e pau pra toda obra. contato: michele_silvalima
@yahoo.com.br

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Este texto está datado! O que vc chama de "nova cara do machismo" ou "modernidade" eram modernos nos anos 70. Se um antropólogo do século XXII quisesse uma boa amostra do que era a mulher moderna do nosso tempo, eu lhe recomendaria ver Sex and the City e Bridget Jones, o resto (já no século XXI) é peça de antiquário.

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Sex and the city e Bridget Jones mostram mulheres que vivem em uma sociedade muito diferente da nossa e ainda são minorias!!! Quantas mulheres vc conhece que moram sozinhas antes de se casarem e terem filhos? Mais, se um antopólogo quisesse alguma amostra de aluma coisa não teria como "corpus" de pesquisa séries e filmes que mostram homens que na ficção são uma coisa e na realidade outra.

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Oi Michele, interessante o seu ponto de vista a respeito do papel da mulher "moderna", mas de fato o que eu queria enfatizar pra você é que não foram os homens os culpados pela dupla jornada de trabalho, mas como você mesmo cita no texto foram vocês que resolveram queimar os sutiãs, não que isso tenha sido ruim, pelo contrário, pra mim mulher nem usava sutiã, mas isso não vem ao caso agora. Bem o que eu gostaria de esclarecer para amenizar a angústia das mulheres "modernas" é que nos nossos "tempos modernos" o Homem vem desenvolvendo mecanismos para reduzir tais desigualdades, tais como a máquina de lavar roupas, louças, microondas e etc.

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Acho que não estamos discutindo "maioria" ou "minoria" e sim "modernidade" (que, aliás, sempre está associada a uma minoria porque quando passa a ser maioria é porque já deixou de ser "moderno" e virou "costume"). Também discordo categoricamente que as obras de ficção que citei são diferentes da nossa sociedade. O sucesso delas deve-se, em parte, justamente pela semelhança que há entre as sociedades ocidentais, inclusive a nossa. Quanto a morar sozinha, acho que a principal diferença entre Brasil e EUA é que aqui isso acontece na faixa dos 30 (idade das mulheres retratadas em Sex and the City e Bridget Jones) e lá a partir dos 18, mas isso é um fator cultural que renderia outro post, já que é válido tanto para homens como para mulheres.

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Independente de sexo ou qualquer outra distinçao que diferencie as pessoas, o grande erro do ser humano é culpar os demais por situações que somos igualmente responsáveis. Sim, dificuldades, uns têm mais do que os outros. Porém, não dá para negar que somos o que fazemos. Lendo esse texto e pensando em minha rotina como marido (hoje, bem, não sei dizer que estado civil me encontro...), sinto-me bem ao constatar que as minhas preocupações condizem com os tais problemas femininos. Exemplos? Eu passava as roupas, eu arrumo a cozinha, eu faço almoço, eu cuido do cachorro, eu faço as compras - e das tarefas consideradas masculinas, não faço negligência, eh eh eh! Pena que não valeu muita coisa, né, enfim... Eu também peco pelos sentimentos. Mas sei o que quero, e sei que o tempo é escasso. Acho que esse é ponto: não meça as suas ações de acordo com o meio externo. Se os homens, a sociedade e os bons costumes exigem de você, mulher, algo que não queira ser ou fazer, não o seja, não o faça!

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Angelo, Fantástica sua análise. Seria muito bom se todos pensassem assim. Dando certo ou não, ao menos vc fez sua parte.

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Vini, acho que o sucesso da série se deve mais por espelhar nossos desejos. Mesmo nos E.U.A muitas mulheres sonham com a independência e o tipo de vida que essas mulheres da ficção têm.

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