Opinião - Para quem critica....

     Eu sei que tem muita gente que acha que Big Brother é coisa de quem não tem o que faze, que é fútil, frívolo, etc. Pois é, o mesmo argumento vale para muitas outras coisas, como novela, séries e por aí vai. Este blog foi criado para falar da bomba atômica ao cocô, agora que já sabem não adianta mais reclamar.

Homofobia ou direito de não gostar?

     Particularmente não assisti a todas as edições do Big Brother Brasil, não aguentei o BBB6 e o BBB8, também confesso que achava que o BBB10 não seria lá essas coisas. Doce equívoco. Quanta polêmica em uma única edição! Dessa vez o Boninho acertou em cheio na escolha dos participantes, todos estão dispostos a chocar o público. No meio de tanta confusão ainda tivemos a entrada de dois ex-bbbs, Josiane e Marcelo Dourado. A primeira, eliminada logo no começo e o segundo escapou ontem da berlinda.
     Dourado é fogo! E bota fogo nisso! Já chegou chegando, discutindo com a outra ex-bbb, Fani Pacheco, que também queria entrar na casa. Disse que preferiria fazer filme pornô a ter de posar para uma revista gay. Em uma casa com 3 gays assumidos era óbvio que isso não ia dar boa coisa. Poucas semanas depois Dicésar, maquiador homossexual assumido, começou a falar pelos quatro cantos da casa que Dourado era homofobico. Quem assistiu viu que Dourado estava isolado, ninguém gostava dele, conseqüências de um julgamento anterior, quando ainda estava no BBB4. Será que os atuais participantes tinham motivo? Talvez, talvez ele seja meio grosso, sem tato e principalmente sem bom senso.
     O fato é que Dourado nunca negou que não sabe lidar com a homossexualidade, disse para quem quisesse ouvir que de onde ele vem “homem é homem e mulher é mulher”. Quando Dicésar afirmou que todos nós temos uma “diva interior”, ele disse ao vivo que ele, Dourado, não tinha diva nenhuma. Quando o mesmo Dicésar afirmou seu orgulho gay, Dourado rebateu falando do seu “orgulho hetero”. O auge da discussão ocorreu essa semana quando os participantes da casa de luxo estavam almoçando. Serginho estava comentando sobre a pegação na balada gay e Dourado se retirou dizendo que havia perdido o apetite. Marcelo já havia dito na casa que não gostava de comentar e ouvir esse tipo de coisa. Exagero ou não, para muitos esses são os sinais de sua homofobia. Será?
     Desde 1 ano de idade eu moro no bairro mais gay do Brasil, o centro de São Paulo. Já vi a homofobia de perto, ela não é um simples preconceito. O ódio é irrefreável. Bom, pelo prêmio tudo pode ser possível, inclusive um desvio de caráter. Entretanto, sinceramente não acho que seja o caso de Dourado. Ele foi extremamente grosseiro ao se retirar da mesa, mas será que ele não estava no seu direito de discordar? Será que pelo fato de serem gays, lésbicas, travestis, negros, índios e pobres e qualquer outra minoria (da qual eu também me inclua) nós não podemos simplesmente analisar o ser humano em si. Aceitar a pessoa como ela é não significa ter que concordar com tudo. Respeitar não significa gostar. Tenho muitos amigos gays, mas eles não me impõem absolutamente nada. Será que o Dourado não tem o direito de não gostar de falar de sexo entre dois homens na hora do almoço? Será que o pai do Serginho iria gostar de ouvir a conversa do filho? Eu iria, mas não fui criada como o Dourado que já tem quase 40 anos. A minha diversão era ver o silicone das travestis quando ia para escola. Achava graça homem com peito. No entanto, não posso querer que as pessoas pensem da mesma forma que eu.
     Acho Dourado um tanto machista, meio ogro, homens das cavernas, totalmente sem tato. O homossexualismo não é novidade para ninguém, mas acredito que a convivência com gays para Dourado seja sim uma novidade. Ele cometeu um deslize, exagerou, voltou atrás e pediu desculpa. Cena? Não acho, acho que ele está aprendendo a conviver com gays. E acho também que Dicésar está usando a sua causa para se fazer de vítima, o que para mim é pior, pois está jogando fora uma luta limpa pelos direitos dos homossexuais e utilizando-a apenas em seu benefício. Será que se eu disser que ele é fofoqueiro também serei acusada de homofobia? Somos todos agora obrigados a sermos coloridos? Não posso mais exaltar a minha cor, seja ela qual for? Meus amigos gays me permitem exaltá-la, afinal é isso que me faz ser como sou.


Michele Lima


Blogueira, tradutora, revisora, redatora, professora e pau pra toda obra. contato: michele_silvalima
@yahoo.com.br

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Aprender a conviver com a diferença é um desafio a todos nós. Gostei muito do seu texto. As partes de memórias da infância estão rosa-chiclete, de tão boas!

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