Alice no país das maravilhas

O que falar de um filme tão comentado e badalado? Esperei ansiosamente para poder vê-lo e quando finalmente o vi, fiquei um tanto frustrada. A história é uma adaptação dos contos, livros e poemas de Lewis Carroll, mostrando um enredo bem diferente daquele que se encontra no primeiro livro de Alice no país das maravilhas.

Tudo começa com Alice (Mia Wasikowska) indo a uma festa e descobrindo que está prestes a ser pedida em casamento. No momento do pedido, a garota sai correndo e encontra um coelho branco de colete e relógio na mão, também correndo à sua frente. Depois de persegui-lo, Alice cai em um buraco, indo parar em uma sala já conhecida por aqueles que viram a primeira versão. Porém, Alice não se lembra de sua última aventura no país das maravilhas, pois até então acreditava que tudo não havia passado de um sonho. Durante sua ausência as coisas mudaram. Agora a Rainha de Copas (Helena Bonham Carter) é quem governa e continua mandando cortar as cabeças. O Chapeleiro Maluco (Johnny Depp), a Rainha Branca (Anne Hathaway) e seus aliados esperam que Alice possa derrotá-la.



Na verdade, todo o enredo é tipicamente de aventuras e é possível perceber a tentativa de Tim Burton de passar alguma mensagem com a história. O problema é que ela é curta, com muita ação, aventura e com diálogos superficiais. Sem falar no 3D, que não possui nada além de atirar coisas na direção do público. Acredito que está próximo o dia em que as crianças irão se cansar disso. Dá até para prevê quando os movimentos irão acontecer. Além disso, os óculos não foram projetados para quem não usa lentes de contato. Eu era obrigada a enxergar os meus próprios óculos, mesmo usando o 3D. Evidentemente um desaforo para quem tem problemas de visão.

Apesar do 3D deixar as cenas mais escuras, visualmente o filme é perfeito, embora que com as mesmas características de Burton. Também acredito que está próximo o dia em que a falta de inovação dele o irá prejudicar como diretor.

Entretanto, com todos esses pontos negativos, não posso dizer que odiei o filme, já que gosto do gênero aventura; apenas esperava mais. Johnny Depp é sempre Johnny Depp e sua atuação, mais uma vez, estava excelente. Só não gostei mesmo de Anne Hathaway como a Rainha Branca, achei sua interpretação exagerada demais, com movimentos excessivos dos braços, ainda que fosse proposital. Concluindo, é bom ver o filme para passar o tempo, só não espere muito, pois Alice no país das maravilhas é somente uma típica boa obra de Tim Burton e sua trupe.

Michele Lima

Blogueira, tradutora, revisora, redatora, professora e pau pra toda obra. contato: michele_silvalima
@yahoo.com.br

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Bom, toda crítica tem um teor de subjetividade, mas essa chutou o pau da barraca. Ao avaliar um filme, ou qualquer outra obra de arte, devemos perguntar qual foi a proposta do(a) criador(a) e se ele(a) conseguiu atingi-la. Era a proposta de Burton fazer (1) uma versão própria de Alice - não filmar a de Carroll -, (2) uma fita de aventura e (3) passar uma mensagem (que aliás é uma coisa bem óbvia). Então, até onde entendi do que vc escreveu, ele foi bem sucedido em tudo. Quanto ao 3D, existia a opção alternativa em "não-3D", ou seja, o 3D era só pra quem quisesse, pra quem não "tem problemas de visão" e para entreter ainda mais o público-alvo do filme que, aliás, não foi levado em consideração em nenhum momento da sua "crítica".

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1. sim, a proposta foi fazer sua própria versão de Alice e em nenhum momento disse que não gostei do filme pq ele adaptou alguma coisa. Apenas achei, sua versão muito fraca.(direito meu)

2. Sim, uma fita de aventura sem nada em especial para tanta badalação.

3. Não passou mensagem alguma.

4. E se eu tenho problema de visão e quiser ver em 3D? Está na hora da indústria pensar nisso!

5. Mesmo que tenha atingindo todas as suas propostas, nem por isso o filme é uma grande coisa.

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Eu ainda não vi, quero ver. Não em 3d, prefiro o normal mesmo, mas concordo com vc, a indústria tem que pensar em uma maneira de atender a todos, mesmo os que usam lentes ou óculos.

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Os óculos, sobrepostos aos meus de grau, causaram desconforto no meu nariz. Tive de afastá-los dos olhos em alguns momentos, para não cansar demais. Também achei que a imagem projetada fica muito escura e os responsáveis pelo cinema deveriam arrumar isso, clareando a projeção, sei lá.

Acredito que é difícil pensarem em alternativas que agradem a todos, isto é, pessoas com e sem problemas de visão. Se a pessoa quer ver filme em 3D, ela precisa arcar com as consequências.

É interessante assistir a um filme em 3D, pela experiência, mas não é nada absurdamente genial. Creio que não verei outro filme em 3D tão logo, porque a experiência não mudou minha vida.

A novidade do 3D compensou, para mim, a frustração diante de "Alice". Achei o filme bobinho e, em determinadas cenas, chato. É muito mais Disney do que Tim Burton. Gostei apenas das atuações de Depp (um pouco exagerada, confesso) e Bonham Carter, e dos bichinhos, que são fofos.
Ainda bem que paguei meia entrada!

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