Breve Relato sobre a Virada Cultural

Sou uma pessoa às vezes muito chata, é verdade, e sempre escuto isso quando digo que não gosto da Virada Cultural. O que as pessoas não entendem é que isso é um verdadeiro transtorno para quem vive no centro de São Paulo. Tudo bem, eu sei que são só 24 horas, praticamente um episódio de Jack Bauer e que tem gente que mora no mesmo bairro que eu e adora. No entanto, isso pode sim atrapalhar a vida dos outros.

Para explicar melhor, contarei minha primeira experiência como “participante” da virada. Nesse último sábado eu fui aos shows, mas na verdade eu queria muito assistir alguma apresentação no SESC, pois é mais organizado, em lugar fechado e próprio para isso. Entretanto, namorar é ceder e fui aos shows. Minha prima queria assistir a Zélia Ducan, na praça Júlio Prestes, mas já estava tarde e o metrô estava muito cheio (pois é, eu não queria caminhar 20 minutos, eu disse: às vezes sou chata).

Ficamos uns 15 minutos no palco do Samba e depois fomos para o palco do Reggae, pois queria assistir ao show do Cidade Negra. Para começar o local estava lotado. A rua, bem estreita, não possibilitava a locomoção, mas nos acomodamos perto de um carro de polícia (pura figuração) e longe do palco, assim não pude ver as madeixas de Toni Garrido e não havia telão. O palco estava muito próximo de vários prédios e alguns moradores estavam nas janelas olhando o movimento. Acredito que muito deles por falta de opção, uma vez que com o barulho nem televisão seria possível ouvir. Imaginem se o som não faz parte do estilo dos moradores? E se no outro dia, alguém que mora naquela rua tivesse uma prova super importante? “A pessoa pode se programar e dormir na casa de alguém” disse meu primo. “Afinal muitos não podem pagar os ingressos dos shows e muito menos possuem dinheiro para o lazer”. É verdade, mas não sou contra os shows, só sou contra à organização. Imaginem se alguém nesses prédios passa mal? Jamais uma ambulância conseguiria passar ou chegar a tempo. Como bem colocou minha prima, um show daqueles seria mais plausível no Ibirapuera, por exemplo. Afinal São Paulo possui vários parques, locais mais apropiados para shows gratuitos.

Não fiquei até o final da apresentação. Escutei umas 5 ou 6 músicas e tive que me retirar, digamos que a “fumaça” no local não me permitia ficar. Até achei que estava em um churrasco ao lado da churrasqueira, mas digamos que o cheiro era outro. Já era quase 1 hora da manhã e eu queria ver o Sidney Magal, mas antes tinha que passar em casa, tirar minhas botas e calçar um tênis (nem me lembro mais quando foi a última vez que usei um).

Quando chegamos ao palco montado entre a Praça do Arouche e a Rua Vieira de Carvalho, Rita Cadilac estava terminando seu show. O local estava ainda mais cheio do que no show do Cidade Negra, a diferença é que estávamos agora em uma praça, um local mais aberto, largo e de possível movimentação. Ficamos bem próximos ao palco, mas meu namorado ainda teve que me levantar para que eu pudesse ver a bunda e as pernas de Rita. Posso apenas dizer que são avantajadas.

Com cinco minutos de atrasado, eis que entra Sidney Magal ovacionado pela platéia composta em sua maioria de gente jovem. O show foi muito engraçado! O repertório de Magal tinha Luis Caldas (próximo a entrar no placo), Rita Lee, Lulu Santos, entre outros. No entanto, o ponto auge do show foi quando Magal cantou dois clássicos ao final da apresentação: Me chama que eu vou (da Rainha da sucata) e Sandra Rosa Madalena. O Arouche foi abaixo com as músicas! Muito divertido.

No final das contas concluí que a Virada Cultural até pode ser divertida, mas ainda seria melhor se esses shows fossem em lugares mais adequados. Durante a apresentação de Sidney Magal, havia um velhinho (foto abaixo) na janela de seu apartamento que aparecia de vez em quanto para ver o show. Quando aparecia começava a dançar e era aplaudido pela platéia. Colocaram até um holofote em cima dele, o coitado foi à loucura. Talvez eu deva fazer como ele na próxima vez, ser menos carrancuda e aproveitar. Claro, torcendo para que os palcos continuem não sendo na minha rua.


                                               Foto cedida pela minha amiga Joyce Scarduelli

Michele Lima

Blogueira, tradutora, revisora, redatora, professora e pau pra toda obra. contato: michele_silvalima
@yahoo.com.br

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uia tá ficando chic, cobertura de evento !!!

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