Política e religião de mãos dadas... mais uma vez

O blog Notas de Rodapé abre espaço para Vinicius Martins expor sua opinião. Segue abaixo um texto de sua autoria.

A campanha eleitoral começou. Daqui até outubro, os candidatos vão apelar ao máximo para conseguir o seu quinhão de votos, mas isso não é novidade pra ninguém, acontece praticamente todo ano par. É super comum ver candidatos apertando a mão de gregos e troianos e, na verdade, é assim mesmo que tem que ser, pois, uma vez eleito, o político vai (ou pelo menos deve) governar pelo bem de todos e não só de um grupo ou daqueles que votaram nele.

No entanto, o que vem chamando minha atenção na campanha eleitoral do candidato a presidência José Serra é o seu discurso na tentativa de agradar a determinados setores da sociedade. E mais, a forma como alguns desses setores estão mostrando o seu apoio ao candidato.

Há algumas semanas, quando esteve no 28º Congresso Internacional de Missões dos Gideões Missionários da Última Hora, da igreja evangélica Assembleia de Deus, José Serra declarou que o Estado não deveria legislar sobre as questões da Igreja referente a aborto e casamento gay. Pois bem, primeiramente, o projeto que se tem em pauta no país é para garantir a união CIVIL (e não religiosa) entre pessoas do mesmo sexo, em segundo lugar, no Brasil, é a Igreja que interfere nas questões do Estado e não o contrário.

No feriado de Corpus Christi, Padre Marcelo e Dom Fernando convidaram Serra para a missa no Santuário do Terço Bizantino e, diante de 15 mil fiéis, o padre pediu que fosse rezada uma Ave-Maria para o candidato. Ora, a Igreja Católica tem todo o direito de apoiar um candidato político, com a condição de que isso seja feito de maneira transparente (essa última frase, aliás, também é válida para a imprensa). O problema é que desde a reabertura democrática, em 1984, a Conferência Nacional de Bispos do Brasil (CNBB) optou, muito sabiamente, por não apoiar abertamente nenhum candidato. Além disso, Padre Marcelo e Dom Fernando não representam a Igreja Católica brasileira.

Este não se trata de um texto partidário, ainda não decidi em que irei votar, nem se irei votar em alguém, no entanto, ainda que a apelação seja comum em tempos de eleição, o cidadão não deve tolerar todo tipo de verborragia, muito menos quando se trata de discursos que podem nos levar (ou nos fazer retornar) a um estágio obscuro da civilização. Na História, das vezes em que Igreja e Estado andaram de mãos dadas, o resultado não foi positivo.

Vinicius Martins

Blogueira, tradutora, revisora, redatora, professora e pau pra toda obra. contato: michele_silvalima
@yahoo.com.br

Próximo
« Prev Post
Anterior
Next Post »
Comentários
2 Comentários
2 comentar
avatar

Depois das eleições essa aliança acaba. De qualquer forma quero a igreja (qualquer uma delas) bem longe das leis!

Responder
avatar

Muito bom o artigo, Vini.
Vou observar todos os candidatos nesse quesito.

Responder