Noite em Casa - Em nome de Deus

Como passei o feriado com a minha prima de 9 anos, o único filme que assisti foi “A turma da Mônica e a Viagem no tempo”. Assim, segue abaixo a resenha de Elda Rodrigues sobre um filme pra lá de interessante!

Em nome de Deus


Adoro filmes do gênero drama e este eu considero excelente, além disso, é baseado em fatos reais.

O filme, “Em nome de Deus” (The Magdalene Sisters, 2002), conta o drama vivido principalmente por quatro mulheres: Margaret, Rose, Bernadette e Crispina, na década de 60 num dos conventos de Maria Madalena na Irlanda. Estes conventos eram administrados pelas freiras da Misericordia sob comando da Igreja Católica. Eles recebiam jovens mulheres vindas de orfanatos e principalmente de famílias católicas que as enviavam por motivos considerados pecaminosos como: ter deficiência física ou mental, ser muito bonita, ou muito feia, ser muito inteligente ou ignorante, ser mãe solteira, ter sido violada, entre outros. O convento tinha a missão de “purificá-las” de seus pecados, para isto, tinham que trabalhar em serviços domésticos durante os 365 dias do ano, em regime de escravidão, sem receber nada, além de humillhações físicas e psicológicas; todos os atos de rebeldia eram fortemente reprimidos. As que eram mães tinham que ser separadas de seus filhos que acabavam sendo enviados para orfanatos, não permitindo desta forma nenhum vínculo delas com as crianças.

O filme é tão bem dirigido por Peter Mullan que parece que a gente está dentro do convento, tanto que desta vez nem percebi muito a trilha sonora (sempre as destaco). São tantas cenas boas que fica difícil escolher a melhor, mas tem uma em especial, que é quando as freiras obrigam as jovens consideradas “pecadoras” à ficarem nuas para que possam ridicularizar os corpos de cada uma delas. A cena é chocante!


Muitas mulheres viveram e morreram nestes conventos, outras enlouqueceram, pois a intenção sempre foi mantê-las em confinamento por tempo indefinido. E pensar que o último convento não foi fechado no século XVIII e sim há pouco tempo, no século XX, no ano de 1996.

As interpretações das atrizes são muito intensas, a entrega ao personagem é total e feita de forma muito corajosa; chega a arrepiar! Particularmente, considero este filme bastante humanista, e por isso mesmo é imprescindível para os cinéfilos de plantão, e para os que têm um senso mais crítico acerca destas questões. “Em Nome de Deus” é praticamente um soco no estomâgo em qualquer pessoa. O filme nos faz refletir, discutir e não mais ignorar as atrocidades que foram cometidas e que ainda continuam sendo em nome da religião. Vale a pena assistir! Duração: 119 minutos

Elda Rodrigues


Blogueira, tradutora, revisora, redatora, professora e pau pra toda obra. contato: michele_silvalima
@yahoo.com.br

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Adorei essa resenha! Agora quero ver o filme, vou preparar o lencinho!

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Gosto de drama, acho que vou ver esse filme!

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