É hoje!

Hoje é o meu dia, mas não aquele dia em que tudo acontece de modo errado, pois hoje tudo seria perfeito, ao menos foi o que pensei quando levantei pela manhã. O sol estava lindo como sempre e batia uma brisa leve pela janela da sala. Ótimo dia para colocar um vestido, ultimamente fazia tanto frio que os vestidos estavam empoleirados no guarda-roupa. No entanto, hoje iria arrasar usando um deles e claro, uma sandália bem bonita para combinar. Meia hora depois decidi colocar uma sandália baixa, apesar de querer impressionar na reunião de hoje, não queria que os meus pés sofressem com isso.

Vinte minutos adiantada do horário normal, queria chegar com calma e repassar todos os detalhes da reunião, porque hoje seria um dia brilhante! Porém, o elevador demorou 7 minutos para chegar ao décimo andar. Justo hoje eles tinham que fazer manutenção! Não importa, ainda estava dentro do horário previsto, mas para piorar a situação, o elevador parava em todos os andares. Pode parecer estranho, mas um elevador pode realmente atrasar uma pessoa.

Sai do prédio e fui andando alegremente pela rua, quando percebi o primeiro pingo. Como assim e aquele sol? Bom, já não existia mais. Mesmo com o guarda-chuva na bolsa, achei que uma pequena garoa não iria fazer mal, esperaria engrossar para me preocupar.

A caminhada era curta, graças a Deus tinha o privilégio de poder ir a pé para o trabalho, mas no meio do caminho havia um buraco. Se eu tivesse escolhido uma sandália de salto alto, obviamente a culparia, mas como não escolhi, só pude culpar o meu oftalmologista por me passar óculos tão estúpidos a ponto de não me permitirem ver a aquele maldito buraco.

Era uma enorme rua, bastante larga e o sinal estava fechado, mas como disse: havia um buraco no meio do caminho e cai nele. A primeira coisa que pensei foi: vou fingir que estou passando mal, mas me lembrei de que naquela hora da manhã não havia quase ninguém na rua e o meu público maior eram as pessoas dentro de seus carros, assistindo a uma pata cair. Levantei. Olhei para os lados, não havia ninguém, nem me dignei a olhar para a minha platéia dentro de seus automóveis, olhei fixamente para frente e segui, não sem antes retirar o guarda-chuva da bolsa, pois a garoa havia se transformado em uma tempestade, me deixando encharcada.

Passei por um, dois, três faróis depois da minha fatídica queda e já estava me esquecendo da vergonha que senti quando escuto alguém passando por mim dizendo: “se machucou boneca?” Olhei furiosamente para aquele pedreiro maldito, mas eis que me deparo com meu chefe, com um sorriso vagabundo no canto da boca desfeito depois dos palavrões que eu havia soltado. Não pedi desculpas, fingi que não o havia reconhecido, segui em frente e entrei no meu trabalho, mas já em mente de que hoje realmente não seria meu dia.

Michele Lima



Blogueira, tradutora, revisora, redatora, professora e pau pra toda obra. contato: michele_silvalima
@yahoo.com.br

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Comentários
2 Comentários
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Mi muito real este conto, isso acontece mesmo, agora a parte do pedreiro foi o Maximo rsrsrsr
Beijosss

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Oi Lu!!! Obrigada por comentar! Que bom que gostou!

Bjs, Mi

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