O discurso do Rei


Em 1936, poucos anos antes da Segunda Guerra mundial, o rei George VI assume o trono, depois que seu irmão, Edward III, renuncia por querer se casar com uma americana, divorciada duas vezes. George era o segundo na sucessão ao trono da Inglaterra, mas possuía sérios problemas na hora de discursar porque era gago. Em uma época em que os discursos de Hitler eram famosos, George, ou Bertie, como era chamado pelos mais íntimos, sabia perfeitamente que para governar uma nação, ele teria que superar seus próprios traumas e deficiências.

Depois de várias tentativas frustradas com outros médicos, sua esposa, a rainha Elizabeth Bowes-Lyon (que morreu em 2002) resolve procurar um médico não muito ortodoxo, Lionel Logue (Geoffrey Rush). Lionel tem suas próprias regras e seus próprios métodos de lidar com a gagueira de George e para isso, o tratamento vai além de simples exercícios; Lionel acaba se tornando um verdadeiro amigo do rei. Não que a relação entre os dois fosse simples, pois por parte do rei era uma verdadeira relação de amor e ódio. Lionel acreditava que George seria um rei brilhante, um grande homem, certezas essas que nem o próprio rei tinha de si mesmo.

O filme começa antes de George se tornar um rei e assim podemos ver um pouco da história de Edward, o irmão mais velho, que se recusa a ter Wallis como uma simples amante, fazendo questão de se casar com ela, deixando o trono para o irmão gago, tímido e temperamental. Logo na primeira cena percebemos que é insuportável vê-lo tentado discursar, dando vontade de pegar o papel da mão dele e falar!


Colin Firth está perfeito no papel, a ponto de qualquer um achar que ator é gago de verdade. É incrível ver o seu desespero, tentando falar sem conseguir; sem contar que Colin mostra um rei às vezes autêntico e às vezes inseguro, sem ao menos falar uma única palavra, apenas por seus gestos podemos ver a real imagem do rei. O elenco é de primeira, pois não só Colin Firth está bem no papel, como Geoffrey Rush e Helena Bonham Carter também estão. Foi interessante ver Helena se vestir e se comportar como uma rainha, sem aquele cabelo e figurino de bruxa, que estamos tão acostumados a vê-la

“O discurso do rei” é um filme que mostra uma época em que os discursos eram verdadeiras injeções de ânimo na população; uma época em que o rádio era o maior meio de comunicação de massa e o microfone o maior inimigo do rei. Com uma história real, interessante e um exemplo de superação, seria uma pena o filme não ganhar nenhum Oscar este ano.

         

Michele Lima


Blogueira, tradutora, revisora, redatora, professora e pau pra toda obra. contato: michele_silvalima
@yahoo.com.br

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Comentários
4 Comentários
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Eu assisti e adorei, gostei de ver o poder da linguagem tratado no no filme!

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Apesar de não ser o meu preferido da lista do Oscar, o filme é muito bom e acho muito provável que leve o Melhor Filme.

Pra quem também gostou, fica a dica que em 2011 entra em cartaz "W.E.", dirigido por Madonna, que conta um pouco da história de Edward III que abdicou do trono para ficar com a americana divorciada Wallis.

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Oi Fernada, obrigada por comentar, tb gostei bastante do filme.

Vini, eu sei que vc ama a Madonna, mas a relação dela com o cinema me faz ter medo desse filme, mas quem sabe eu dou um voto de confiança e assisto!

Bjo.

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Esse filme é ótimo e o elenco está excelente! Collin Firth está impecável.
Fui vê-lo hoje com minha mãe. Ela me fez ver Harry Potter, eu a fiz ver um filme com metade do elenco de Harry Potter, rsrsrs. Exagerei, mas três atores estão lá - pelo menos, porque não assisto aos HPs pra saber.

Vini, agora a informação sobre o filme da Madonna faz sentido. Você o vê e me conta depois o que achou.

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