O Monótono Oscar 2011


A 83ª edição do Oscar foi tão estimulante como um copo de leite morno. Seguindo o que foi estabelecido no ano passado, a cerimônia contou com dez indicados na categoria de Melhor Filme e dois apresentadores, James Franco e Anne Hathaway, que não conseguiram se igualar em qualidade com os experientes anfitriões de 2010, Alec Baldwin e Steve Martin. Porém, não acusemos esses talentosos jovens hollywoodianos de incompetência, quem já os viu apresentando o tradicional Saturday Night Live pode garantir que eles sabem entreter o público, o problema é que os roteiristas do Oscar não são tão competentes como os do SNL e é nessa hora que a experiência de um Steve Martin faz falta. Talvez, por já pressentirem o inevitável fiasco, os organizadores trouxeram ao palco o hilário Billy Cristal, um dos melhores apresentadores que os Academy Awards já teve.

A imponência técnica e criativa a que estávamos acostumados nas últimas edições, também não deu as caras este ano. Em vez de um quinteto de oscarizados fazendo homenagem aos indicados nas categorias de ator e atriz, os vencedores do ano passado, Jeff Bridges e Sandra Bullock, solitários, teciam um rápido monólogo sobre cada um dos competidores. Em vez dos pomposos números musicais, apresentações modestas para as canções indicadas. Em tempos de crise financeira, o Oscar seguiu muito à risca a máxima “menos é mais”. No entanto, essa simplicidade foi bem-vinda na bela e merecida reverência a Lena Horne, uma das pioneiras atrizes negras de Hollywood que abriu caminho para tantas outras como Halle Berry, escolhida para apresentar a homenagem.

Nas vitórias também houve pouca surpresa. Apesar da tentativa (frustrada) de aproximação do público jovem, ao transformar Harry Potter, a saga Crepúsculo e A Rede Social em musicais, foram os velhotes da Academia que deram a palavra final ao eleger, como previsto, o convencional O Discurso do Rei como Melhor Filme e Direção. O filme de Tom Hooper é sem dúvida muito bom, mas não se equipara à ousadia de seus concorrentes como A Origem, A Rede Social e Cisne Negro, meu favorito. O Brasil também continuou a comer poeira quando o documentário Lixo Extraordinário perdeu para o favorito Trabalho Interno. As categorias de Ator e Atriz, e de Ator e Atriz Coadjuvantes, embora também previsíveis, foram bastante justas com as respectivas vitórias de Colin Firth (O Discurso do Rei), Natalie Portman (Cisne Negro), Christian Bale (O Vencedor) e Melissa Leo (O Vencedor). Outro agradável triunfo veio na categoria de Melhor Roteiro Adaptado para o genial Aaron Sorkin (A Rede Social).

A surpresa só chegou mesmo na entrega da estatueta para o Melhor Filme Estrangeiro, que foi para o Dinamarquês Em Um Mundo Melhor, e não para o mexicano Biutiful, que tinha destaque entre os apostadores depois de sua vitória no Globo de Ouro, a semelhança do que ocorreu no ano passado quando o argentino O Segredo dos Seus Olhos derrotou o favoritismo do alemão A Fita Branca.

E, quando pensávamos que, aos minutos derradeiros da cerimônia, o Oscar não poderia ficar mais monótono, um coral de crianças adentra o palco, nos remetendo a breguice do Global Criança Esperança. Os prêmios da academia continuam firmes em seu objetivo de promover o cinema, mas a festa este ano deixou muito a desejar.

Abaixo a lista completa de vencedores:

Melhor Filme: O Discurso do Rei

Melhor Direção: Tom Hooper, O Discurso do Rei
Melhor Ator: Colin Firth, O Discurso do Rei

Melhor Atriz: Natalie Portman, Cisne Negro

Melhor Ator Coadjuvante: Christian Bale, O Vencedor
Melhor Atriz Coadjuvante: Melissa Leo, O Vencedor

Melhor Animação: Toy Story 3

Melhor Roteiro original: O Discurso do Rei

Melhor Roteiro Adaptado: A Rede Social

Melhor Filme Estrangeiro: Em Um Mundo Melhor, Dinamarca
Melhor Direção de Arte: Alice no País das Maravilhas

Melhor Fotografia: A Origem

Melhor Figurino: Alice no País das Maravilhas

Melhor Edição: A Rede Social

Melhor Maquiagem: O Lobisomen

Melhor Trilha Sonora: A Rede Social

Melhor Canção: We Belong Together,Toy Story 3

Melhor Documentário de Longa-Metragem: Trabalho Interno

Melhor Documentário de Curta-Metragem: Strangers no More

Melhor Curta-Metragem de Animação: The Lost Thing

Melhor Curta-Metragem: God of Love

Melhor Edição de Som: A Origem

Melhor Mixagem de Som: A Origem

Melhores Efeitos Visuais: A Origem

Vinicius Martins


Blogueira, tradutora, revisora, redatora, professora e pau pra toda obra. contato: michele_silvalima
@yahoo.com.br

Próximo
« Prev Post
Anterior
Next Post »
Comentários
12 Comentários
12 comentar
avatar

Olha Vini só discordo em relação ao filme A rede social. Não acho que seja um filme ousado e nem acho que tenha merecido realmente algum Oscar!

Responder
avatar

Neste aspecto eu concordo com a Michele: eu simplesmente não entendo o hype sobre "A rede social". Histórias sobre jovens que ganham fortunas com a internet podem ter sido algo extremo dez anos atrás, não hoje.

Em contrapartida, concordo que a trama de "O discurso do rei", perto de "A origem" e "Cisne Negro" bastante convencional e, por isso, previsível. Ganhou o Oscar pelo conservadorismo e pelo trio de protagonistas - sobretudo pelo Colin Firth, merecidamente consagrado pela academia.

Responder
avatar

Estava achando estranha a ausência do Vini no período pré-Oscar. Quando comecei a ler o texto, pensei que fosse escrito pela Michele. No entanto, ao me deparar com os elogios a "A rede social", fui logo conferir a assinatura do autor e, é claro, era o Vini!
Concordo com vcs. "A rede social" pode ser bom, mas não é "o filme". Talvez pudesse ter ganho melhor direção.

A presença da Anne Hathaway foi suportável. Gostei dos vestidos que ela usou. Mas acharia melhor terem colocado o Kirk Douglas no lugar do James Franco. Putz, nem se compara a simpatia de um com a do outro! Ou poderiam ter chamado o Hugh Jackman - ele já apresentou o Oscar uma vez? Ou foi um sonho que tive?

Responder
avatar

p.s.: e viva Titanic, hein?
Cenas do filme e Celine Dion no palco... my God!

Responder
avatar

Giovi eu tb quase tive um infarto qdo vi a Celine Dion cantando!

Responder
avatar

Eu concordo plenamente que "A Rede Social" é um bom filme e ponto, no entanto, a maneira como o filme é contado (em três julgamentos) e sobretudo a edição fazem com que ele seja mais inovador do que o vitorioso "O Discurso do Rei". Além disso, transformar a história de um nerd antipático em um bom filme já é um feito e tanto. Ainda assim, não acho que mereceria o Melhor Filme.

Ah, aproveitando o tema, quem diria que Giovi e Marcelo Israel se tornariam reclusos à rede social e Vinicius e Michele, a dupla anti-Orkut, dominariam o FaceBook... o mundo dá voltas.

Responder
avatar

Sim, Giovanna. O Hugh Jackman apresentou a cerimônia do Oscar, se não me engano, há dois anos. Foi quando a Anne Hathaway foi indicada. Aliás, a piada que ela fez sobre o Hugh Jackman se deve ao fato de que, quando ele apresentou a cerimônia, ele a convidou para participar de um número musical, mas parece que, quando ela fez o mesmo nesse ano, ele recusou o convite.

Responder
avatar

Embora tenha recebido centenas de convites para o Facebook, recuso-me categoricamente a participar dessa rede social. Não gosto de coisas que estão na moda. Prefiro consultar meu Orkut (ainda na versão antiga, pois não gostei daquela nova - que hoje já é velha), ouvindo meus LPs.

Obrigada pela informação, Marcelo V. Mas, da próxima vez, não revele meu verdadeiro nome, kkkk

Responder
avatar

Marcelo V, que memória boa hein, até guardou direitinho a piada! kkkkkkk

Responder
avatar

Ah, eu gosto da Anne Hathaway, então guardei essa participação dela no Oscar na memória.

Gi, conto nos dedos de uma mão as vezes que te chamei por esse seu "alias". Eu me recuso a seguir a modinha! kkkk

Responder
avatar

É verdade, Marcelo V nunca chamou de Giovi a Giovi!

Responder
avatar

O Marcelo é pão duro e não quer me dar um dolar.

Responder