A Vida dos outros

Segue abaixo a resenha de Ivna Alba:

Nada de janela indiscreta...

Eles querem saber sobre você, sua vida e o que se esconde por trás das suas paredes


O cinema sempre nos deixa atônitos com muitas das histórias que assistimos, algumas baseadas em fatos reais, inclusive.  Mas, o Cinema Alemão vai além do estarrecedor. Ele emerge uma forma de mácula cotidiana e se desmancha em pétalas macias diante de nossos olhos: ainda que sangre, enternece. O longa-metragem “Das Leben der Anderen” (“A vida dos outros”) é mais uma dessas obras-primas germânicas, dirigido por Florian Henckel Von Donnersmarck e lançado no ano de 2006, na Alemanha.


O filme se passa na Alemanha Oriental, onde um agente da Stasi é enviado para espionar, através de escutas colocadas discretamente por toda a casa, um casal profundamente envolvido na cena cultural: o escritor Georg Dreyman e a atriz Christa-Maria Sieland.

Quanto mais tempo o agente ouve, mais se aprofunda na vida, no romance do casal, no ambiente e paulatinamente seus hábitos mecânicos e milimetricamente calculados dão vazão a um homem que demonstra, ante ao homem-máquina, toda a humanidade que um coração acinzentado pode encerrar.

Porém, muito além da solidariedade adormecida na razão da Stasi, Das Leben..., quase quer provar uma espécie de determinismo genético: se nasces bom, não importa o uniforme que vestes. Não é a toa que a soundtrack repousa na “Sonata para um homem bom”, quando se vê o agente cinza iniciar o seu processo de amolecimento. 

Ah, e a solidão!

A solidão punge em todo momento: nas cores, dores, olhares, palavras, nos livros, na música, no cenário... Ela repousa em todos os cantos do longa que ganhou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, nocauteando O labirinto do fauno e todos os seus milhões de apreciadores.

Parafraseando o personagem que exclama no filme “- É um Brecht!”, em referência ao livro que lê no momento de uma festa de aniversário, reforço minha ideia e, quiçá, dos jurados do Oscar do porquê “Das Leben der Anderen” ter ganho:

“É um alemão!”

Duração: 132 minutos

       

Ivna Alba
Jornalista


Blogueira, tradutora, revisora, redatora, professora e pau pra toda obra. contato: michele_silvalima
@yahoo.com.br

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Comentários
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Que coincidência Ivna eu estava pensando em fazer uma resenha desse filme rsrs, eu sempre procuro fazer de filmes que gosto.
Esse filme é impecável, me emocionou profundamente, principalmente pela excelente atuação do ator Ulrich Mühe, além disso ele pode ser analisado sob vários aspectos, inclusive político, porém minha visão sobre o mesmo se dá de forma mais humana, pois ele também aborda a complexidade existente nas relações humanas, e mostra que a mudança do personagem não foi óbvia, foi uma construção e eu acredito que podemos mudar, tem uma frase que minha amiga postou que diz:"Mudo, não por diversão, falta de opinião, desequilíbrio. Mudo porque vivo, porque penso, porque sinto. E uma largata nunca vai virar leão. Ela vira borboleta, mas porque já nasceu borboleta em potencial".
E quem não se emocionaria com Brecht e com a Sonata de um homem bom? Infelizmente acredito que muitos!

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Puxa depois desse comentário e dessa resenha eu vou ter que assistir! Mas como parece ser denso, vou esperar um dia em que eu esteja no clima!

Ivna obrigada pela resenha!

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