Cisne Negro


Black Swan

A luta de duas almas em gerações diversas


Entender Black Swan vai muito além de entender a cinematografia, roteiros, laboratórios de atuação, iluminação, cenário e tudo o que os cinéfilos ou cults da crítica do cinema acreditam e incorporam.

Cada um, claro, tem seu point of view, mas existe um dos pontos que é contundente e, indubitavelmente repercute em todo o filme e muitos não pararam para analisar isso.

Captar Black Swan é, inevitavelmente entender o Lago dos Cisnes sim, e mais ainda, conhecer e entender a ligação que existe entre a composição, o filme e o compositor do balé: Tchaikóvsky. Quem já ouviu o Lago inteiro e mergulhou em suas águas até imergir por completo, compreendendo as raízes e a imensidão do trabalho, da composição e do universo Tchaikovskyniano?


Desde criancinha eu ouço, escuto, absorvo cada partícula do mundo deste compositor do período romântico. E por que eu falo isso?

Por que a personagem Nina está impregnada de características do compositor a começar pela aceitação de seu outro “eu”. Tchaikóvsky passou a vida inteira lutando contra seu outro Tchaikóvsky e, talvez, só tenha encontrado-o em sua última sinfonia, a 6ª Sinfonia, também conhecida como a Patética.

Fui ao Belas Artes, antes que ele feche suas portas, em uma sexta chuvosa, sentei-me em uma das poltronas da sala Villa-Lobos e deixei-me afundar em pensamentos e minha vida, sem saber o que me esperava e logo nos primeiros segundos de filme, ao ouvir a trilha, desandei-me em lágrimas.

Súbito as cenas de lutas interiores da Nina, a criação protetora em demasia e o clima de austeridade que existe entre a personagem e sua Black Swan reportou-me a um livro de capa negra, escrito pelo Anthony Holden, se não me falha a memória, e que dizia em sua capa: Tchaikóvsky: Uma Biografia.


Vi a história, o compositor, as tantas composições, o universo russo, a infância, juventude, vida adulta, o casamento mal fadado e comparando-o inconscientemente à Nina, aquilo tudo não era diferente; ambos em sua paixão e desejo são levados ao esforço extremo, à insanidade total para alguns e se precipitam, largando aos que pouco podem, seus últimos feitos.

O Lago dos Cisnes, assim como Black Swan, estão interligados por uma só pessoa e quem não compreendê-la não conseguirá alcançar a profundidade, a vida e o amor que existe neste filme.


Aí não estão o balé, as técnicas de dança clássica, não é para se esperar um discurso de um rei, a história não é apenas a luta por um papel e como se chega até o topo, não está também ultrapassar as barreiras de uma educação cultivada por uma mãe frustrada e obcecada pela filha, projetando seus sonhos, mas se encontra a dor pungente de duas almas que necessitavam se encontrar dentro de suas respectivas arte e vida.

Acredito que o diretor, Darren Aronofsky, entendeu essa urgência entre Tchaikóvsky e Nina, então deu à Natalie Portman o maior presente que uma atriz poderia receber: a união de ambos.

Oscar para a Portman e minhas eternas reverências à Tchaikóvsky. 

         

Ivna Alba

Blogueira, tradutora, revisora, redatora, professora e pau pra toda obra. contato: michele_silvalima
@yahoo.com.br

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Comentários
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Esse filme é mesmo incrível, como já disse aqui, era o meu favorito do Oscar. Porém uma das coisas que mais gostei foi a infinita possibilidade de interpretações. Acho que a relação entre Nina e Tchaikóvsky é uma delas, não a única.

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falamais do filme não das suas reações:(!!

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