Noite fora de Casa - O Retrato de Dorian Gray



O romance “O Retrato de Dorian Gray”, de Oscar Wilde, já teve algumas adaptações para o cinema, a mais recente é a de 2009, com produção de Oliver Parker; eu só não sei por qual motivo o filme só estreou no Brasil agora em 2011.

A trama é ambientada na Inglaterra Vitoriana (século XIX) e conta a história do belo Dorian Gray (Ben Barnes), que após receber uma herança passa a viver na efervescente Londres. O jovem ingênuo e simples do interior passa a conviver com a alta sociedade londrina e se torna amigo do pintor Basil Hallward (Ben Chaplin) e de Lord Henry (Colin Firth), um homem sem nenhum tipo de escrúpulo. Hallward tem em Gray sua fonte de inspiração, ele é obcecado pela beleza estonteante do rapaz, enquanto para Henry ele é uma ótima fonte de manipulação, pois sua intenção é influenciá-lo, convencendo-o a aproveitar a beleza e juventude que possui, entregando-se aos prazeres da vida, principalmente os carnais.

Depois de Dorian ver o seu retrato pintado num quadro feito por seu amigo Hallward, o rapaz fica completamente obcecado pela própria aparência, já que antes disso não havia tido ainda consciência de sua beleza. Ficando completamente deslumbrado, exprime em voz alta o desejo de ser belo e jovem para sempre. No primeiro momento ele não se dá conta que seus pedidos foram atendidos e fatidicamente o quadro passa a ser sua alma, e isso trará complicações drásticas para a vida dele.


Após uma decepção amorosa, ele afasta-se cada vez mais de Hallward e estreita sua amizade com Henry, que consegue influenciá-lo cada vez mais, ele então se corrompe e torna-se uma pessoa completamente sórdida, passando a levar uma vida hedonista.

Com o passar do tempo todos envelhecem menos Gray, mas depois de uma vida entregue apenas aos prazeres imediatos, ele continua se sentido vazio e entediado, nada o faz sentir-se feliz, tudo que era bom se esvaiu, afinal ele vendeu sua alma e isso o levará à autodestruição.

A história é trágica e nos faz pensar sobre imortalidade, perfeição, moralidade e alguns tabus ainda presentes na sociedade. O personagem Henry representa bem o que Oscar Wilde pensava sobre a época em que vivia, atacando principalmente a moral burguesa, eu mesma anotei várias frases ditas por ele. Claro que o livro foi censurado na época em que foi lançado, recebendo péssimas críticas.

Em relação ao livro, o filme sofre algumas alterações na história, sendo inseridos novos elementos, que não são exatamente bons, mas mesmo assim os diretores insistem em fazê-los. Claro que o livro oferece muito mais, por isso eu aconselho a lê-lo.

O filme, cujo roteiro foi realizado pelo estreante Tobey Finlay, traz elementos góticos, tem ótima fotografia, figurinos impecáveis, mas tentou ser sensual e caiu no grotesco, mas eu fiquei decepcionada mesmo com as interpretações, principalmente a do ator Ben Barnes, com uma atuação pífia ele comprometeu bastante o personagem; afinal o Dorian Gray de Oscar Wilde é muito complexo e de uma grande profundidade, merecia uma excelente atuação. Mas eu recomendo por ser uma ótima história. Duração: 112 minutos

              



Elda Rodrigues


Blogueira, tradutora, revisora, redatora, professora e pau pra toda obra. contato: michele_silvalima
@yahoo.com.br

Próximo
« Prev Post
Anterior
Next Post »
Comentários
4 Comentários
4 comentar
avatar

Bom, eu ainda não tive tempo para ver, mas está na minha lista, tanto o filme quanto livro. Em relação ao ator Ben Barnes, acho ele lindo, mas só. No máximo deve continuar fazendo "As crônicas de Narnia" rsrsrsrs

Responder
avatar

Lovely your works..

Greetings.
From Saga, Japan.
ruma

Responder
avatar

Ele é muito bonito, por isso o filme é lindo, kkkkk

Responder