O fim de uma era


A saga do bruxinho Harry Potter entrou na vida tardiamente, apenas no meu primeiro ano de faculdade. Eu sempre fui viciada em leituras, mas não sentia vontade de ler o tão famoso Harry Potter. Até que um dia eu vi meu amigo Marcelo com o “Harry Potter e o cálice de fogo”, o mesmo livro que meu sobrinho e afilhado Fredson estava lendo. Os dois falaram tão bem do livro que resolvi ler. Isso mesmo, o primeiro livro que li do Harry Potter não foi o primeiro e sim o quarto. Eu já havia visto os três primeiros filmes, por isso, não me importei por começar pela metade.

Logo a princípio eu percebi três coisas: a primeira era que eu iria realmente ter que ler os três livros anteriores, a segunda era que o filme infantilizava demais o livro e a terceira era que a história não era tão boba quanto parecia. A partir de então eu comecei a ler desesperadamente todos os livros e confesso que já li todos mais de três vezes, nunca em ordem cronológica. Um dia, ainda lerei na ordem correta.

Dessa forma, estando extremamente nostálgica eu fui à minha última caravana HP! Caravana porque desde o princípio reunimos nossos amigos de faculdade para que todos possam ver juntos, todos os anos, os filmes de J. K. Rowling. Porém, para dizer bem a verdade, a primeira parte me emocionou muita mais do que a segunda. Não sei se porque já estava preparada para o final ou porque a primeira parte é mais dramática do que a segunda (que contém muito mais ação do que qualquer outra coisa), só sei que achei que derramaria alguma lágrima, mas não derramei. Ainda assim fiquei triste com o fim e feliz com o resultado final.

Eu tenho uma teoria de que os livros ímpares, assim como os filmes, são bem melhores do que os pares, pela contagem esse seria o oitavo e talvez por isso eu não tenha amado como amei a primeira parte. De todos, o terceiro (“Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban”) e o quinto (“Harry Potter e a Ordem da fênix”) são os meus filmes e livros preferidos, mas para deixar bem claro: “Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 2” não foi ruim, foi bom e o final foi digno.

O filme começa exatamente do ponto em que parou a primeira parte, sem nenhum resumo ou referência ao filme anterior, por isso, se você já se esqueceu de como era o primeiro, aconselho que veja o filme antes. Como sempre - e como em qualquer adaptação – algumas coisas são bem diferentes do filme, como a parte em que ao invés de Snape dar ao Harry seu pensamento, o Snape do filme lhe entrega algumas lágrimas. Acredito que a troca do pensamento pela lágrima seja para enfatizar o drama da cena e para incrementar a redenção do personagem mais complexo da saga. Outra diferença e agora sim mais irritante, é que o Harry não concerta sua varinha com a “varinha das varinhas”, dando a entender que ele fica com a varinha do Malfoy, coisa que não acontece. Malfoy também ficou ausente na última cena, quando eles já estão adultos, mas isso não fez diferença.

Quem não leu o livro entenderá o enredo, mas muitos pontos talvez possam ficar obscuros, mas nada que prejudique a interpretação da história, que foi repleta de efeitos especiais e aventura. Destaque para Neville que teve sua parte de protagonista devidamente dada, assim como a professora McGonagall. Belatriz e Hagrid praticamente fizeram uma “participação especial” no filme, este último, aliás, aparece capturado na floresta, mas ninguém viu como aconteceu.

Enfim, falhas sempre existiram e apesar disso, HP7 teve um final à sua altura. Infelizmente, foi o último, mas acredito que ninguém irá esquecer a saga da autora que ressuscitou o mercado editorial na área infanto-juvenil. Só espero que em 2012 “Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 2” ganhe ao menos algum Oscar!

Michele Lima



Blogueira, tradutora, revisora, redatora, professora e pau pra toda obra. contato: michele_silvalima
@yahoo.com.br

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Eu confesso que chorei, mas não pelo filme e sim pelo final de uma saga. Foi muito bom durante estes anos poder ir ao cinema com meus filhos, comer pipoca e ficar ansiosos na fila. Do filme ao gostei, mesmo das partes alteradas, mas claro que eu prefiro os livros. O que mais gostei foi do terceiro e fique p da vida quando Sirius morreu, não achei justo e não acho justo até hoje, kkk. beijos

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Mamis, eu amo o Gary Oldman e consequentemente eu amo o Sirius! Eu também nunca me conformei com a morte dele!

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