Noite em casa - Assalto ao banco central



Eu tenho certa dificuldade em concordar com as críticas de cinema, não porque eu as ache ruins é que elas sempre acham que todos os filmes são ruins, a não ser que seja algum filme do tipo intelectual e despreza, muitas vezes, aquele tipo de filme que só serve de puro entretenimento. Oras, o que seria de “Crepúsculo” se todos somente assistem “Laranja mecânica”?

Enfim, as criticas se diziam decepcionadas com “Assalto ao Banco Central” e eu me sentia cada vez mais com vontade de assistir, principalmente por causa do enredo. É inegável que o assalto que aconteceu na vida real não foi só grandioso em términos de roubo, mas grandioso também quanto a sua genialidade! Por causa disso eu queria muito ver como iriam retratar esse genioso plano que culminou em um dos maiores roubos do mundo!

O filme tem duas narrativas, uma em que mostra quando e como o grupo arquitetou o assalto e a outra quando o assalto já aconteceu, com a polícia federal procurando os culpados. Barão (Milhem Cortaz) é o cabeça da quadrilha, é ele quem procura o restante dos bandidos e arquiteta o plano. Junto dele está sua parceira, Carla (Hermila Guedes), mulher sedutora e traiçoeira. Mineiro (Eriberto Leão), amigo do Barão, também entra na jogada, afinal eles precisavam de alguém “bonintinho” para ajudar a fingir que eles eram só trabalhadores! Isso porque o Barão, com a ajuda de um engenheiro, traça um caminho da casa em que eles estavam até o cofre do Banco Central e para justificar tanta terra saindo de lá, eles montam uma empresa fictícia que vende grama sintética.


Os ladrões têm suas funções no plano, mas basicamente eles precisavam apenas cavar. Burrice, inteligência e cobiça são bem mostradas no filme, principalmente depois que o assalto é realizado com sucesso. Com a polícia federal, comanda pelos personagens de Lima Duarte e Giulia Gam, no encalço do bandido, aquele que não foi esperto acabou preso, entretanto, ao que tudo indica, só aqueles que realmente foram muito burros é que se deram mal.

Sabe-se que até hoje muito pouco do dinheiro foi encontrado e que, provavelmente, o chefe do bando ainda está em liberdade, mas segundo a ficção, gente importante estava metida nesse assalto.

O enredo me interessou muito, principalmente porque adoro filmes de roubo, mas acho que a maioria das pessoas se decepcionou porque esperava algo como “Tropa de Elite” e o diretor Marcos Paulo não tinha a intenção de fazer algo do tipo.

“Assalto banco central” tem seus defeitos e possui a marca de todo filme brasileiro, isto é, cenas de sexo desnecessárias e muitos palavrões, sem contar a péssima atuação de Eriberto Leão e Milhem Cortaz. No entanto, achei que o filme foi injustiçado pela crítica brasileira, há anos a gente reclama do nosso cinema por fazer filmes apenas de corrupção, favela e que quando eles, finalmente, fazem algo diferente, as pessoas vão ao cinema esperando justamente corrupção e filmes com favelas?

De qualquer forma, “Assalto ao banco Central” me agradou, longe de ser um grandioso filme de roubo e provavelmente longe de passar a verdadeira história por trás do roubo, mas possui um enredo atraente e diferente do habitual em comparação aos demais filmes brasileiros. Duração: 104 minutos

Michele Lima

Blogueira, tradutora, revisora, redatora, professora e pau pra toda obra. contato: michele_silvalima
@yahoo.com.br

Próximo
« Prev Post
Anterior
Next Post »
Comentários
0 Comentários
0 comentar