Noite em Casa - Revolução em Dagenham

Ford- Dagenham, Reino Unido 1968: 55 mil homens e 187 mulheres! 

Tudo pode acontecer quando as pessoas se unem por uma causa que pode beneficiar a todos! 





O filme “Revolução em Dagenham” (2010) prova isso. Depois desse episódio as relações trabalhistas foram impactantes, afinal, foi uma luta por direitos trabalhistas e femininos. Baseado em fatos reais, o filme dirigido por Nigel Cole retrata a luta de mulheres que trabalhavam como costureiras na fábrica de estofados da Ford em 1968, numa época em que a mulher ainda estava buscando reconhecimento no mercado de trabalho, elas conseguiram ter coragem pra desafiar todos na luta pela igualdade salarial, que era bem inferior e justificada por serem mulheres.

A luta dessas operárias começou por melhores condições de trabalho, pois eram muito precárias. Com o apoio do sindicalista Albert (Bob Hoskins), que as apóia até o fim, elas se unem pra conseguir melhores condições na fábrica. Porém, a líder Connie (Geraldine James), impossibilitada de ser a líder das mulheres na fábrica, acaba cedendo seu lugar para a tímida Rita (Sally Hawkins) que a princípio recusa, mas depois, como o apoio de todas, resolve aceitar e podem ter certeza que fizeram a melhor escolha.

Rita é uma dona de casa dedicada e trabalhadora, mas que de repente passa a ser a principal mentora de ideais bem mais ambiciosos. No primeiro encontro com os sindicalistas ela já mostra ter grande liderança, como Rita e suas companheiras estavam sendo representada por dois sindicalistas, ela não precisaria falar, mas percebendo que não estavam avançando muito nas negociações, ela se esforça e acaba conseguindo dizer tudo que queria e muito mais, claro que todos ficaram boquiabertos com sua principal reivindicação: o direito de receberem um salário compatível ao dos homens. A partir daí começa a grande luta, uma vez que tiveram que enfrentar a família, o próprio sindicato, a Ford, que tentou de todas as formas abafar o caso; afinal, isso não poderia sair de controle, já pensou se todas as mulheres resolvessem fazer isso nas fábricas de todos os países? Além disso, tiveram que lidar com a fúria dos homens que trabalhavam na fábrica, já que a paralisação dessas 187 mulheres que faziam um trabalho considerado desqualificado, sem especialização, fez com que eles também parassem de trabalhar, pois a fábrica não tinha mais bancos pra colocarem nos carros que estavam sendo fabricados.

Participar de uma greve nunca será fácil, disso podem ter certeza, a pressão é muito grande e desistir é o caminho mais fácil, mas não para as operárias da Ford naquela época! A greve tomou proporções maiores, acarretando em problemas econômicos e políticos, tanto que o governo pressionado pela Ford resolveu intervir e negociar com as mulheres, a ministra do Emprego na época, Barbara Castle (Miranda Richardson), foi a negociadora, uma mulher de pulso firme, mas que simpatizava com a luta das mulheres. Pode-se dizer que o encontro de Rita e suas companheiras com a ministra mudou a vida das operárias de todo o país. O congresso enfim aprovou a Paridade Salarial em 1970. Essa vitória também influenciou outros países.

Assistam a classe trabalhadora e sintam-se representados, afinal, se você não é dono dos meios de produções, é um proletário. Termino com uma frase da personagem Rita: “Não são privilégios: são direitos”. Duração: 113 minutos 

Elda Rodrigues

Blogueira, tradutora, revisora, redatora, professora e pau pra toda obra. contato: michele_silvalima
@yahoo.com.br

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Comentários
4 Comentários
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Uma vez eu pensei em assistir a esse filme, mas pensei que fosse chato. Porém, depois ler sua resenha Elda e ver o trailer, o filme além de ter um bom enredo parece ser bem engraçado!

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Apesar de ser um filme de causas trabalhistas ele é bem leve, fácil de assistir, torna-se agradável, vale a pena conferir.

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eu gostei muito desse filme, nossa uma hora deu uma raiva dos homeeeens ,elas ajudaram eles e depois reclamaram da greve delas afff

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