Noite em Casa - Medianeras : Buenos Aires na era do amor virtual


Ultimamente tenho fugido das comédias românticas americanas, cansei delas, não me atraem mais, por diversos motivos, como falta de criatividade, roteiros medianos e muitos clichês, enfim, não tem nada de bom atualmente em minha opinião e eu só as encaro como puro entretenimento. Mas como eu gosto do gênero tenho arriscado as produções de outros países, tenho assistido a várias comédias românticas francesas e durante minhas buscas descobri um maravilhoso filme argentino, que é classificado como “drama/comédia romântica”, chamado “Medianeras : Buenos Aires na era do amor virtual”.

Eu confesso que não assisto a muitos filmes brasileiros, então não tenho muito embasamento pra comparar, sou leiga, mas do pouco que já vi não tenho gostado, além disso, fiquei pensando se o Brasil estaria preparado pra realizar uma produção tão incrível como a do filme “Medianeras”, afinal, espero produções desse nível.

A película começa com a canção “Ain’t no Mountain High Enough” só pra confundir, mas depois tudo volta ao normal com monólogos reflexivos dos protagonistas, começando com Martin (Javier Drolas), um nerd solitário que constrói sites, cheio de fobias que vive vinte quatro horas em frente ao computador e toma antidepressivos. No filme ele narra sua visão sobre a arquitetura irregular de Buenos Aires e como tira dela momentos maravilhosos de introspecção sobre sua vida e as das pessoas no geral. No edifício ao lado mora Mariana (Pilar Lopez de Ayala), que faz o mesmo enquanto observa a cidade. Mariana é uma arquiteta que não consegue atuar na área e sobrevive vestindo manequins de lojas; melancólica e introspectiva, ela também enxerga a cidade como Martin e ainda sofre profundamente com o fim de um relacionamento fracassado de quatro anos. Martin e Mariana têm muitas afinidades, apesar de morarem perto e de se encontrarem algumas vezes eles não se conhecem. Martin marca encontro às escuras pela internet e sempre se decepciona fazendo referencia ao Big Mac, enquanto Mariana vive sempre frustrada, triste e tentando se adaptar a viver sozinha novamente.

Alguns questionamentos são trazidos à tona, talvez o diretor tenha tido a intenção de mostrar a dicotomia “globalização x individualismo”, mas penso que é mais profundo, pode ser denso, mas definitivamente está longe de ser chato, o filme fala de solidão, depressão, das fobias do homem moderno, sentimentos gerados socialmente, e penso que a melancolia traz à tona a sensibilidade e a vejo como uma oportunidade de desvelar o mundo em que vivemos, já que às vezes isso se faz necessário. O filme também faz referências ao livro “Onde está Wally”?, achei muito criativo, pois no final tudo faz sentido. E quem gostou do estilo “Amélie Poulan” como eu, com certeza amará esse filme. Duração: 95 minutos

Elda Rodrigues

.

Blogueira, tradutora, revisora, redatora, professora e pau pra toda obra. contato: michele_silvalima
@yahoo.com.br

Próximo
« Prev Post
Anterior
Next Post »
Comentários
3 Comentários
3 comentar
avatar

Até que não sou assim um espetáculo em forma de fã da sétima arte sinto essa mesmice nos trabalhos americanos e uma certa impaciência em parar e assisti.

Por isso adoro quando vc mostra esses trabalhos vindos de outras matrizes, lembro que amei aquela comédia romântica francesa e possivelmente vou amar essa também!!!

Responder
avatar

Eu concordo que infelizmente o gênero virou mesmice, mas sempre quero ver, é um vicio!!! Adoro comédias românticas de outros lugares e acho que devo gostar dessa tb! Quanto à francesa, Jaci, realmente eles arrassam nesses filmes!!!

Bjs

Responder
avatar

Eu também continuo assistindo, se for ruim vou continuar falando mal, mas o bom é que isso me ajudou a buscar filmes de outros países.

Responder