A egoísta e o oprimido




Sábado passado, o filho de um casal de amigos estava completando 1 aninho e eu e meu marido fomos prestigiá-lo, mesmo porque eu adoro festa de criança, me entupo de brigadeiros! O problema é que eu só conhecia os pais da criança, que estavam ocupados demais para dar atenção apenas pra gente. Claro que o maridão, tomando umas cervejas, se enturmou logo com os outros homens, mas eu não tenho papo de mãe para me enturmar com as mulheres e dessa forma, fiquei observando as crianças.

Eis que logo que cheguei um casal de primos me chamou a atenção. Vitória de 2 anos, super fofa, uma lindeza, e Gael, um garotinho de 4 anos. Os dois estavam rolando e se abraçando pelo chão, o que achei sensacional, já que criança não tem o menor pudor. Porém, logo percebi que Vitória apesar de fofa, tinha um gênio do cão! Pobre Gael! Era só ele pegar um brinquedo que ela tirava da mão dele, enchendo a boca para dizer “é meu”! O que Gael fazia? Nada, sentava no chão, colocava a cabeça entre as pernas e choramingava! Se fosse meu priminho Erick, já tinha dado um belo sopapo na menina, mas Gael não fez nada disso.

Em um determinado momento, Vitória sentou em um pônei de brinquedo e não deixou Gael brincar de modo algum! Chorando, o garotinho pediu a ajuda da mãe de Vitória, que não conseguiu tirar a menina de jeito nenhum do pônei. Utilizando sua psicologia de mãe, a mulher disse claramente que iria brincar com o Gael, deixando a filha enciumada. 30 segundos depois de esboçar uma cara de choro, Vitória sai do pônei e vai verificar a brincadeira da mãe e do Gael, mas ao ver que não era nada demais, exibe sua carinha esnobe e volta para o pônei. 2 minutos depois Gael encontra outro brinquedo, mas Vitória não deixa o garoto brincar. Gael busca novamente por outro e novamente Vitória toma dele. Na quarta vez que ela faz isso, não consigo mais só observar. Aproveitando a distração de Vitória, pego Gael e escondo o garoto detrás do bar. O garotinho super contente consegue, enfim, brincar! Enquanto isso, Vitória abre o berreiro no salão atrás do Gael, mas ninguém lhe diz o paradeiro do menino, um espécie de complô, para tentar ajudá-lo a finalmente ter alguns minutos de paz.

Entretanto, depois de 30 minutos, Gael quer um novo brinquedo e sai de seu esconderijo; Vitória quando o vê lhe dar um enorme abraço e novamente vejo os dois rolando no chão, para depois de 5 minutos ver o Gael choramingando de novo por conta dos caprichos de Vitória.

Já no final da festa, resolvo ajudar o Gael novamente, mas dessa vou brincar com Vitória e ajudo a garotinha a desenhar sua família. Depois de desenhar o pai, a mãe e ela, sabem por quem Vitória pede pra desenhar? O Gael, é claro! Ao que parece, o pobre menino está destinado a sofrer com sua adorável prima!

Michele Lima

Blogueira, tradutora, revisora, redatora, professora e pau pra toda obra. contato: michele_silvalima
@yahoo.com.br

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Comentários
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Amor de primos é assim. eu tenho dois priminhos que é a mesma coisa. Quando se encontram se abraçam e riem, mas depois o Pedro vai e bate no David. mas os dois nao se largam de jeito nenhum.

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Isso acontece o tempo todo na minha sala, trabalho com 18 crianças na faixa etária de 2 anos, tem outra professora na sala e temos que intervir, mediar bastante, o tempo todo, na verdade a criança gosta de tomar o brinquedo pra ter a sensação do outro, e isso gera muitos conflitos...

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kkkkkkkkkkkkkkkkkk Caraca, coitado do menino!!! Mas sim, cadê a mãe da Vitória para impor limite a essa festa de autoritarismo dela ein?!?! Mi, eu ri, mas a coisa é séria.

Confesso que ri dos pequenos, e sim Elda vc também é da turma da educação infantil!!! o/ Que massa!!!

Também faço intervenções nesse tipo de situação e aliás, minha caracteristica forte é pegar no pé de meninas e meninos assim, faço eles dividirem o brinquedo mermo... E se chorar eu dexo rsrs... Na verdade minha especialidade é fazer o pequeno parar de implicar com o colega para entrar em guerra comigo e claro que eu ganho o/

Gente eu teria me divertido muito nessa festa \o/ Adoro festa de criança, o brigadeiro é o melhor \o/

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Bom, Eldinha, super normal em uma sala cheia de crianças, anormal seria se não brigassem! rsrsrsrs

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Jaci, a mãe da Vitória, assim como pai, não consegue dominá-la! A mãe me confessou que a professora dela faz inúmeras reclamações sobre o comportamento da menina em sala! Enfim, fiquei com vergonha de dizer à mãe que ela deveria procurar uma ajuda profissional para tentar amenizar o gênio da filha!

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Sim Pandora, eu gosto muito de trabalhar com educação infantil, afinal ser professor(a) é superar desafios diariamente, mas é tão gratificante.

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