Quando a amizade termina




O título deste post é na verdade uma pergunta, já que eu realmente não sei bem dizer quando o fim de uma amizade chega. Há pessoas que a gente pode passar anos sem ver e mesmo assim o carinho é tão grande que a gente a considera amiga pelo resto da vida. Por outro lado, existem pessoas que a gente vê várias vezes e elas nunca se tornam amigos de verdade.

Quando fui fazer a lista do meu casamento eu tive sérios problemas com os convidados: primeiro porque as nossas famílias são enormes, já que são nordestinas e por isso o número de amigos convidados precisava diminuir e segundo, a minha relação com algumas pessoas específicas. Essas pessoas em questão fizeram parte da minha vida por muito tempo, frequentaram a minha casa, mas a vida de certa forma nos separou, pra dizer bem a verdade, só eu me separei deles, já que o grupo de amigos continuou se encontrando. Nunca fiquei seriamente magoada por isso, só acho que a distancia me fez perceber que eles nunca fizeram parte do meu mundo, que é bem mais humilde que o deles, não que eles sejam realmente ricos!

Sei que é verdade que eu também me distanciei, entrei na faculdade e minha vida mudou completamente, sendo que minha prioridade era estudar e não necessariamente ser rica, algo que uma dessas pessoas talvez nunca entenda, já que uma vez me disse claramente: “estudei menos que você e ganho muito mais”. Acho que esse foi o ponto principal para meu afastamento do grupo, mas com o meu casamento fiquei realmente na dúvida em convidá-los ou não. Não convidei, não só pela distância entre nós, mas também porque o número de convidados já havia passado da conta. 

Hoje eles ignoram meu casamento, algo difícil, já que publiquei algumas fotos no Facebook, mas acho que posso entendê-los; o que fica no ar é: como chamá-los de agora em diante? Amigos? Colegas? Difícil definir...

Michele Lima

Blogueira, tradutora, revisora, redatora, professora e pau pra toda obra. contato: michele_silvalima
@yahoo.com.br

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Comentários
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Eu acho que agora eles são conhecidos! Vocês se conhecem, um pouco e pronto.
Quando eu tinha 12 anos eu sofri um acidente e machuquei minha perna gravemente. Eu era moleca de rua mesmo, tinha a turma, passava o dia brincando, correndo, mas depois do acidente e 30 dias hospitalizada meus amigos foram reduzidos a 2, os únicos que me visitaram, pra quem tem 12 anos isso dói. Eu me recuperei seis meses depois, mas fiquei mancando pro resto da vida e fui excluída. A turma continuou a brincar e eu fui viver outra vida. Aos 17 comecei a trabalhar e quando eu voltava do serviço a turma ainda estava lá, conversando, rindo, brincando, mas eu já não me interessava nem por ficar ali conversando, eu já estava em um outro lugar, com outras pessoas. HOje, como eu ainda moro na mesma rua, na mesma casa da minha infância eu ainda encontro com estes conhecidos, mas eles não sabem quem eu sou, nem eu sei quem eles são, pra mim está bom assim.

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Eu sou um tipo que gostava de dizer "nunca desisto das pessoas", mas percebi recentemente que tem pessoas pelas quais não vale a pena lutar. Nunca pensei que fosse riscar alguém do meu caderno, mas fiz com alguns amigos da faculdade, porque meu objetivo de vida é ser uma boa professora e não fechar mais que todo mundo na universidade.

Mas é meio triste perceber que aquilo que reluzia não era ouro ou que o anel era de vidro.

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Infelizmente a maioria das amizades são bem efêmeras. Em verdade, é um pouco mais difícil aceitar esta realidade principalmente quando se trata de amigos de infância, que frequentaram nossa casa, porém, há diversos motivos que acabe por nos afastar das mesmas. E não somente um afastamento físico, mas emocional mesmo.
Esta coisa de ficar jogando na cara diferença de classes sociais é tão medíocre que acho que você deve se sentir é bem por não ter relações mais firmes com estas pessoas, que agora, não passam de conhecidas.
Você tem que pensar que criou para si uma nova vida, que se renovará ainda mais depois do casamento e que certas coisas e / ou pessoas já não cabem mais nela.
Abraços.
Cheguei aqui por uma divulgação da Pandora no Facebook.

=> CLIQUE => Escritos Lisérgicos

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Que história incrível Mamis! Se perder os amigos na fase adulta já é difícil, imagina qdo criança! O bom é que a gente a aprende a valorizar quem realmente deve ser valorizado!

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Triste sim Jaci, ainda mais quando são pessoas que a gente convive há muito tempo, mas enfim, precisamos aprender a riscar os nomes do caderno!

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Christian vc tem toda razão! Agora tenho uma nova vida e não me faz bem ter ouvir determinados desaforos gratuitamente! Estou começando uma vida nova e só quero perto de mim gente que me faz bem!

Dei uma olhada no seu blog, quero ler amanhã "Uma página do seu diário"!

E obrigada pelo comentário!

Bjs

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Amigos de verdade dão conselhos que nem sempre queremos ouvir, às vezes fazemos algo errado e não queremos represália, apenas apoio,ou silêncio, alguém pra dizer que vai dar tudo certo.
Eu não sou um ser anti-social mas não tenho um melhor amigo(a)daqueles, no entanto, tenho pessoas especiais que ainda continuam na minha vida mesmo distante, sempre que ligo conversamos horas, desabafamos, é muito bom.
Mi, forçar a barra numa amizade não adianta e ser humilhada por
"amigos" por ter escolhido uma profissão que não vai nos enriquecer financeiramente, não dá, eu tenho plena convicção de ter feito uma excelente escolha profissional e sei que jamais serei rica, mas não me importo, quero viver com dignidade, pois acredito que todos os profissionais merecem reconhecimento no mundo do trabalho,não tenho uma visão neoliberal.
Não se preocupe, eles perderam o privilégio de ter sua amizade, pior pra eles...

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Ainda bem que tenho amigos como vc Eldinha!!!

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